Ilustrativo. Li em e-book.
Tá aí uma obra que sempre gera polêmica. Afinal, como não geraria? O livro descreve os sentimentos e pensamentos mais obscuros de um homem, Humbert, de meia-idade que se apaixona perdidamente por uma menina de doze anos. O nosso narrador é um pedófilo e foi isso que tornou este livro tão notável desde seu lançamento.
Lolita, luz de minha vida, fogo de meu lombo. Meu pecado, minha alma. Lolita: a ponta da língua fazendo uma viagem de três passos pelo céu da boca, a fim de bater de leve, no terceiro, de encontro aos dentes. LO. LI. TA. Era LO, apenas LO, pela manhã, com suas meias curtas e seu um metro e quarenta e oito centímetros de altura. Era Lola em seu slacks. Era Dolly na escola. Era Dolores quando assinava o nome. Mas, em meus braços, era sempre Lolita.

Lolita é um livro para poucos, apesar de ser um clássico. Faz-se necessário ter um estômago forte para acompanhar a evolução da loucura de Humbert, para ler os diversos atos que realiza e as crueldades existentes neste livro. Um leitor que inicie Lolita com pré-julgamentos e muitas aversões, com certeza, abandonará esta que pode ser uma leitura fantástica. Muitas pessoas, que claramente não leram a obra, acreditam que Lolita faz apologia à pedofilia, mas, pelo contrário, é uma denúncia do que ocorre por vários cantos do nosso mundo.

Uma denúncia não somente de uma doença, mas de um tipo de amor: o amor insano e doentio. Esta é uma faceta do amor que muitas pessoas preferem fingir que não existe, mas, lendo Lolita, você não consegue se enganar. Por ser narrado por Humbert, lemos o seu ponto de vista sobre o ocorrido e percebemos, em diversos momentos, o remorso e a clareza de que está fazendo algo errado, apesar de que, em muitas vezes, Lolita também provoca e é perversa.

Nabokov nos faz sentir um misto de sentimentos durante a leitura. É difícil até de julgar Humbert pelos seus sentimentos. Li algumas resenhas e percebi que os leitores possuem diferentes conclusões sobre “quem é mocinho”, “quem é vilão” e se isso realmente existe nesse livro. Mas, para mim, H.H. é um sujeito condenável à perpétua, pois, simplificando a história, ele destruiu a infância de alguém.

 As descrições, os eufemismos, a maneira poética como o autor escreveu este livro... Foi demais. Adorei. Uma observação: há quem acredite que este é um romance erótico, mas não o é. O máximo que sugere erotismo ocorre em um dos capítulos inicias do livro, porém termina por ali. Humbert consegue ser nojento e odioso o suficiente sem precisar descrever minuciosamente o que ocorria.

Por fim, é um livro muito bom! Recomendo para quem o aguente. Sempre tive curiosidade de lê-lo e não me arrependo.


Dirigido por Joe Wright
Atores: Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Rosamund Pike...
Gênero: Romance , Comédia
Como comentado na resenha do livro, eu assisti à adaptação de Orgulho e Preconceito para as telonas logo após o término da leitura. Então, as informações ainda estavam bem frescas na minha memória e pude fazer várias comparações entre as duas obras. Mas, primeiramente, quero fazer um pequeno resumo da história. Para você saber mais sobre, inclusive minha opinião sobre o livro, clique aqui.

Quando um jovem rapaz rico, Sr. Bingley, se muda temporariamente para a vila, Sra. Bennet, que é mãe de cinco garotas, logo quer ser apresentada a ele, desejando que o mesmo escolha uma de suas meninas como esposa. O filme inicia-se mostrando Elizabeth Bennet escutando sua mãe conversando com seu pai, e rindo da situação junto com suas irmãs.

Irmãs Bennet
Então, quando são devidamente apresentadas a Sr. Bingley, conhecem também sua irmã, Srta. Bingley, que é muito mesquinha, e Sr. Darcy, que é arrogante e orgulhoso. Apesar de serem muito amigos, Sr. Bingley possui uma personalidade bem diferente da de Darcy, sendo mais simpático e gostando mais de dançar do que o segundo. Enquanto dança praticamente todo o tempo com Jane, a irmã mais velha, e a mais bonita, dos Bennet, a Sra. Bennet quase tem um infarto de felicidade.

Mas os protagonistas não são estes, apesar de, no livro, a autora apresentar o romance de tal casal primeiro do que o do casal principal: Srta. Elizabeth Bennet e Sr. Darcy. Sim, o arrogante e orgulhoso amigo de Sr. Bingley. No filme, as atenções dadas à Jane e Sr. Bingley são bem menores do que as concedidas nas páginas. Algo que me deixou extremamente frustrada foi perceber que Sr. Bingley não possui a mesma personalidade da descrita no livro, onde ele era somente simpático e bonito. Nas telonas, ele é atrapalhado, confuso com as palavras e aparenta ainda não ser um homem feito, garantindo boas risadas, é claro, mas transformando o personagem em algo não muito agradável.

Aliás, esta não foi a única mudança no estilo das personagens. Eu sei que é extremamente comum que as coisas sejam um pouco diferentes no filme, porém preciso ressaltar o que me incomodou, não é mesmo? A própria Srta. Elizabeth Bennet! Ah, uma personagem inteligente, mas não muito bonita, que se transformou, nas telonas, em um alguém mais alegre e risonho do que no livro. Ela se aproxima bastante do espírito de Jane, até. E, durante o primeiro baile, ao invés de aparentar o ódio que sentia por Sr. Darcy após escutá-lo chama-la de “pouco bonita”, ela estava o provocando. Com certeza, esta não é a Elizabeth que eu li sobre. A interpretada por Keira Knightley é mais aventureira, até imatura. Porém a escolha da atriz me deixou extremamente contente, pois foram por estes olhos expressivos que Sr. Darcy se apaixonou. Acertaram em cheio nessa!

Elizabeth Bennet
Outras personagens que sofreram alterações foram Georgina Darcy, irmã de Sr. Darcy, que é totalmente ao contrário da menina tímida encontrada no livro. Esta é muito alegre e convidativa. E, também, o Sr. Bingley, que já comentei antes, tornou-se um pouco patético nesta filmagem.

Mas, não pensem que eu não gostei do filme, ok? As duas horas de duração passaram voando por causa dos cenários lindos e da história cativante. Assim como tivemos alguns personagens com personalidades um pouco, ou totalmente, diferentes das encontradas nos livros, outros foram muito bem transpostos para as telonas, e fico alegre em dizer que Sr. Darcy é um deles. O ator foi escolhido muito bem, soube interpretar perfeitamente as cenas que mais me foram preocupantes e eu só não posso dizer que fiquei apaixonada, pois já estou, e por uma pessoa real, hehe.

Mr. Darcy
Aqui encontramos também uma mãe dramática e ambiciosa, suas características estão um pouco mais extravagantes do que as do livro, mas achei que combinou, pois realmente a Sra. Bennet nos passa essa imagem.  A Srta. Bingley foi interpretada com maestria e tornou-se uma chata, e aplausos para a atriz que interpretou Mary Bennet, adorei aquela menina!

O filme, obviamente, é um pouco apressado demais e alguns fatores ficam de fora, mas realmente não são tão importantes. Outras partes foram mudadas, mas nada que alterasse o final da história. E, aliás, esta obra termina com uma das sentenças mais marcantes e hilárias do livro.

Já deixei claro que muitas são as diferenças encontradas entre as duas obras, não é mesmo? Então, recomendo a leitura íntegra do livro, que entrou para a minha lista de preferidos, e também a assistirem o filme, para relembrar a história e se emocionar um pouco. Os protagonistas fizeram um bom trabalho e, no geral, o filme foi satisfatório. Eu fiquei emocionada nas mesmas partes em que estava com esta apreensão no livro e consegui sentir todo o amor que esperava encontrar, e até mais da parte de Sr. Darcy. Que bela interpretação!



Esta será uma resenha diferente, possuindo mais fotografias do que o normal, pois quero muito compartilhar a minha edição com vocês. Além disso, a extensão da mesma é um pouco maior do que a habitual, então peço desculpas, mas não consegui ser mais breve. Enfim, leiam a resenha e compartilhem suas opiniões comigo!

Não sei bem o que me levou a querer ler Jane Austen, acredito que tenha algo a ver com o fato de tantas pessoas adorarem suas obras, combinado com a garantia de encontrar uma boa escrita, afinal, a autora nasceu em 1775, e a vontade de saber mais sobre seus livros. Comecei por Razão e Sensibilidade, que é um livro gracioso, mas não o mais adorado da autora, que hoje resenho. Orgulho e Preconceito é um clássico inglês que, com elegância, nos mostra os costumes da Inglaterra da época, além de um romance para deixar as coisas ainda mais interessantes.

A história inicia-se com a vinda de Sr. Bingley, um jovem agradável, bonito e rico, para Netherfield Park. Fato tal que chamou a atenção de várias pessoas, principalmente as mulheres de meia-idade já casadas, pois a maior parte das mulheres daquela época possuía uma inteligência voltada especialmente ao bom casamento de suas filhas. Principalmente a Sra. Bennet que possui cinco filhas e nenhum filho, ou seja, com a morte de seu marido, elas teriam que sair de sua propriedade por causa do morgadio.

Enquanto Sr. Bingley é uma pessoa simpática e educada, Sra. Bennet é uma mulher apavorada, em extrema preocupação e muito dramática. Logo que ele chega à vila, ela pede para seu marido ir visita-lo, a fim de que sua família comece um relacionamento com ele para que o mesmo se case com alguma das cinco garotas: Jane, Elizabeth, Kitty, Lydia e Mary. O Sr. Bennet obedece, mas de uma forma totalmente diferente da esperada, e sem notificar ninguém. Ele é uma das personagens mais engraçadas do livro, sendo o dono de uma das frases que mais me fez rir durante a leitura.

As cinco filhas quase não poderiam ser tidas como irmãs, pois todas elas são bem diferentes, a não ser Lydia e Kitty, que possuem personalidades semelhantes, porém uma é ainda mais aventureira do que a outra. Jane, a irmã mais velha, é também a mais bonita das cinco, e acredita sempre no melhor das pessoas, sendo muito ingênua ás vezes. Já Elizabeth é a mais inteligente, porém não possui uma beleza tão estonteante, a não ser que o fato de seus olhos serem muito expressivos conte algo para vocês. Kitty e Lydia estão naquela fase namoradeira e então só pensam nos oficias que vão chegar à vila e Mary, por ser a menos escolhida pela beleza, decidiu-se por sair pouco e estudar muito, tornando-se muito boa no pianoforte. Dentro de casa, as confidentes são Jane e Elizabeth, e Kitty e Lydia, sendo que Mary não possui muita afinidade com nenhuma das irmãs.

Após a chegada de Sr. Bingley, é dado um baile, em que o mesmo é convidado e espera levar um número grande de pessoas consigo. Porém, na hora do evento, ele apareceu com somente duas pessoas, sua irmã, Srta. Bingley e seu grande amigo, Sr. Darcy. Apesar de Sr. Bingley aparentar ter uma genuína simpatia, não se pode dizer a mesma coisa de seu amigo, que era mais recluso, dançando pouco, e ostentava um semblante superior e arrogante, demonstrando ser orgulhoso de sua condição social, afinal, ele era possivelmente o homem mais rico daquele lugar. Mas, apesar dessa diferença de personalidades, a amizade entre os dois era muito concreta. Sr. Bingley confiava totalmente em Sr. Darcy, que foi mais dotado pela inteligência do que o primeiro, e Sr. Darcy adorava a docilidade, franqueza e desenvoltura do primeiro, que possuía sempre gestos convidativos, ao contrário dele.

Durante o baile, Sr. Bingley pede pra que seu amigo tire uma moça para dançar, alegando que nunca tinha visto tantas belas moças juntas, porém Sr. Darcy afirma que a única realmente bonita é a que está a dançar com Bingley, justamente a filha mais velha dos Bennet, Jane. Decidido então a convencer o amigo, ele afirma que Elizabeth também é muito bonita, e inteligente, mas Darcy diz prontamente que sua beleza não era suficiente para comovê-lo. Ele mal sabia que a história dos dois tinha apenas começado e que iria apaixonar-se por aqueles olhos expressivos.

Entretida em observar as atenções do Sr. Bingley com sua irmã, Elizabeth estava longe de suspeitar que ela mesma se estava tornando alvo de certo interesse por parte do amigo dele. No começo, sr. Darcy mal admitia que ela fosse bonita; olhara para ela sem nenhum entusiasmo durante o baile; e, quando voltaram a se encontrar, observou-a apenas para criticá-la. Mas, assim que se convenceu a si mesmo e aos amigos de que seu rosto não tinha nenhum traço belo, começou a descobrir que ele se tornava excepcionalmente inteligente pela bela expressão de seus olhos negros. Com a tal descoberta seguiram-se outras igualmente torturantes.

Apesar de, em boa parte do livro, acreditarmos que a história é sobre Sr. Bingley e Jane, Austen surpreendente, se você não souber anteriormente o nome dos protagonistas, ao relatar a história de Jane em segundo plano. Aqui, o que realmente é importante seria a relação entre duas pessoas que de tão orgulhosas ou preconceituosas receberam este título à sua história. Por causa de tais más características, muitas opiniões apressadas foram feitas, muitas coisas receberam mais importância do que deveriam e muitos amores, quem sabe, nunca poderiam ser concretizados.

Esta edição é absurdamente linda e foi ainda mais prazeroso ler a história sabendo de tal qualidade com o livro. Além de uma boa tradução, a diagramação é ótima, a capa é bonita, a contracapa é mais ainda, e a letra personalizada acrescenta outro diferencial a mais recente edição da Martin Claret para os livros de Jane Austen.  Um trabalho excelente, a meu ver! Confiram:

 



Gostei do modo com o qual a autora conduziu a história e mostrou-nos pouco a pouco a personalidade de cada personagem, que já foi descrita basicamente nesta “resenha”. A autora é reconhecida por causa de suas protagonistas que, diferentemente do normal, são escolhidas por causa de sua inteligência e não da aparência, e Elizabeth possui praticamente um dom de conseguir ver as coisas claramente. Mas, infelizmente, em relação a ela mesma, sua visão torna-se um pouco embaçada.

O que mais posso dizer? Orgulho e Preconceito tornou-se o meu quinquagésimo livro favorito e só consegui pensar em “por que eu não o li antes?”. A história é fortemente recomendada para aqueles que gostam de ler romances de época e conhecer um pouco mais os costumes que estão tão longe dos atuais. Peço desculpas pelo tamanho do meu comentário, mas a história é um pouco complexa para ser contada com poucas palavras, afinal, a autora iniciou o livro não pelo caminho habitual, que seria apresentar os protagonistas, mas o fez pelos personagens secundários. Porém, Jane e Bingley são tão importantes e recorrentes à trama que eu os considero quase co-protagonistas, se é que isto é possível.

Enfim, sem me alongar ainda mais, deixo aqui minha recomendação de um dos melhores livros que já li. Espero postar meu comentário sobre o filme, que acabei assistindo logo após terminar a leitura, amanhã.


Título original:  Animal Farm
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Fábula, sátira
Páginas: 152
Apesar da minha aversão a e-books, que não é pelo fato de não ser um livro físico, mas por eu não possuir um leitor digital e sofrer bastante com os reflexos do notebook, decidi baixar um e ler A revolução dos bichos. Este livro é um clássico, que já foi banido em alguns países por causa de seu conteúdo, e eu estava doida para conferir a história com os meus próprios olhos.

Primeiramente, devo dizer que gostei muito. A satirização do stalinismo é óbvia, não é necessário ler nas entrelinhas, somente saber um pouco de história e perceber que, na verdade, este não é um livro sobre animais de fazenda, mas uma crítica ao sistema socialista de Stálin.

Enquanto Sr. Jones, o proprietário da Granja do Solar, estava dormindo, um grande alvoroço ocorreu nos seus galpões. Os animais estavam a caminho do grande celeiro porque o Major, um porco já idoso, tinha sonhado algo estranho na noite anterior e queria relatar aos seus companheiros. O sonho era algo maravilhoso, na verdade. Através dele, Major percebeu que algum dia aquela granja poderia ser de todos os animais e o sofrimento deles, de possuírem vidas curtas e trabalhosas por demais, poderia chegar a um fim. Só o necessário seria uma revolução contra Jones e todos os seres humanos, pois, afinal, são as únicas criaturas que não produzem nada, porém comandam todos os animais.

Infelizmente, o Major morreu algum tempo depois, mas a sua ideia não estava esquecida no coração daqueles porcos, cavalos, ovelhas e aves. Em uma fazenda, quando você deixa de ser útil, é morto. E se a fazenda fosse somente deles? E se todos fossem iguais? São pensamentos tentadores e, após alguns dias, a Revolução realmente aconteceu. Finalmente, a Granja do Solar se tornaria a Granja dos Bichos.

E a partir daí, muitos animais se destacaram. Os cavalos Sansão e Quitéria e o burro Benjamin, por exemplo. Porém os animais mais importantes são os porcos, principalmente dois: Bola-de-Neve e Napoleão. É de conhecimento geral na fazenda que são os porcos os animais mais inteligentes, portanto, foram dadas as tarefas de organizar as coisas após a revolução. Napoleão era pouco falante, tinha uma aparência assustadora, porém possuía grande força de vontade. Já Bola-de-Neve era mais comunicativo, mas seu caráter não era totalmente conhecido. Chegaram a um impasse, mas um destes personagens já sabia como resolvê-lo.
Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.
Apesar de, no início, houver realmente um “animalismo” (corrente que objetivava a igualdade dos animais) democrático, após algum tempo este sistema começou a se tornar uma ditadura.  E o pior, ninguém percebia. Estavam todos muito felizes por terem conseguido escapar das garras dos seres humanos e acabaram por se encontrar em uma situação ainda mais devastadora, com mais trabalhos e menos comidas e violação aos direitos dos animais. Eles chegaram a criar sete mandamentos, porém o governo totalitário acabou por alterar todos até que chegasse ao que ele queria.

Escrito de maneira muito simples, mas passando totalmente a sua mensagem, A revolução dos bichos, ou O triunfo dos porcos, que é o título de Portugal e acredito ser bem adequado também, é uma fábula brilhante. Orwell mostrou que não é necessário escrever de maneira complicada ou ficar enrolando para se fazer uma boa história, pode-se conta-la como se fosse algo para crianças, que as pessoas ainda assim entenderão. E até melhor, muitas vezes.

É praticamente impossível não perceber a semelhança entre o animalismo e o socialismo, e principalmente entre Napoleão e Bola-de-Neve com Stálin e Trotsky. O autor cumpriu com o seu objetivo, ironizando tal sistema utópico e esclarecendo muitas mentes, acredito. Também se percebe os vários tipos de pessoas existentes: aquelas que repetem sem ao menos saber o porquê, as que só se importam com o trabalho, as que são inteligentes, mas gananciosas por demais, etc.

Esta é uma obra pequena, mas muito boa, que deve garantir um espacinho nas suas estantes. A ideia do autor é genial e espero que nunca precisemos mais passar por situações semelhantes, nas quais alguns se impõem a outros. Porém, quem vigia os vigiantes?

Leitura totalmente recomendada. 


Universia publicou uma lista contendo dezoito títulos de livros considerados clássicos. Possui um título um pouco exagerado, porém as obras são realmente  boas. É claro que todo leitor possui suas preferências, porém algum dia poderá cansar-se de ler somente o que gosta e é aí que entram as recomendações.


Clássicos sempre são bem-vindos. Já fiz uma postagem indicando alguns que li e gostei bastante, mas não era uma lista tão completa quanto esta e possuía volumes bem diferentes dos aqui encontrados. Por causa do renome, conheço um pouco da história de todos os títulos, porém nada dispensa a leitura integral da obra né?

Clicando no link ao lado do nome dos livros, você será redirecionado a uma página da Universia que disponibiliza o download gratuito de maneira legal de tais obras. Imperdível para quem quer conhecer um pouquinho mais da cultura mundial.

A Divina Comédia (Dante Alighieri) Download
As Viagens de Gulliver (Jonathan Swift) Download
Coração das Trevas (Joseph Conrad) Download
Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski) Download
Do Livro do Desassossego (Fernando Pessoa) Download
Dom Quixote – vol. I (Miguel de Cervantes) Download
Dom Quixote – vol. II (Miguel de Cervantes) Download
Fausto (Goethe) Download
Hamlet (William Shakespeare) Download
Madame Bovary (Gustave Flaubert) Download
Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis) Download
Moby Dick (Herman Melville) Download
O Príncipe (Maquiavel) Download
O Processo (Franz Kafka) Download
Orgulho e Preconceito (Jane Austen) Download
Os Miseráveis (Victor Hugo) Download
Os Sertões (Euclides da Cunha) Download
Robinson Crusoé (Daniel Defoe) Download

Já li alguns, mas quero ler muitos outros volumes desta lista, e vocês?


Adaptações é uma coluna onde resenho adaptações específicas de obras literárias.

Eu sei que muitas pessoas não se lembram desta coluna, já que a mesma só teve uma postagem, a de Once Upon a Time, que agora está iniciando sua segunda temporada de uma ótima maneira. É meio complicado que eu assista a séries ou filmes novos, mas mesmo que seja com pouca frequência, as Adaptações ainda aparecerão por aqui.

O-Conde-de-Monte-Cristo-livro
Revenge é baseado no clássico O Conde de Monte Cristo, que confesso nunca ter lido, porém sempre tive curiosidade em conferir esta obra. Por causa da inveja e interesse de três conspiradores, Edmond Dantés, que era marinheiro com um futuro promissor, acaba sendo preso por falsa acusação. Após quatorze anos na prisão, ao contrário das expectativas, ele consegue sair da mesma, e com vontade de vingar-se daqueles que estragaram a sua vida.

No seriado, o papel do vingativo é ocupado por uma bela garota chamada Amanda Clarke. Quando ela era pequena, seu pai foi preso acusado de ser terrorista, algo que ele não pôde desmentir para todos porque acabou morrendo na prisão. Sem sua mãe, que já tinha falecido, e seu pai na prisão, a infância de Amanda aconteceu em uma detenção juvenil.
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Amanda Clarke é interpretada por Margarita Levieva.
Aos 18 anos, ela conseguiu sair daquele lugar. Na porta de entrada, ela encontra um milionário, Nolan Ross, que era amigo do seu pai e ele entrega a sua herança e uma pequena caixa que continha todas as informações sobre o que realmente aconteceu. Após lê-las, e acompanhada do dinheiro da herança, Amanda decide voltar aos Hamptons para se vingar daqueles que destruíram a sua família, principalmente os Graysons.
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Gabriel Mann é Nolan Ross.
Ao chegar à comunidade, ela utiliza o nome de Emily Thorn. Uma jovem milionária e melhor amiga de Kelley, que trabalha para os Graysons. Sem saber dos planos de Emily/Amanda, Victoria Grayson é simpática com ela durante uma festa. A garota pretende derrubar a todos, inclusive aqueles que ajudaram a família Grayson, como médicos, psiquiatras, advogados etc.
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A "doce" Victoria Grayson é interpretada por Madeleine Stowe.
Os capítulos têm duração média de quarenta minutos, mas são muito bem aproveitados. Em cada episódio vemos um pouco mais sobre a estratégia da vingativa Amanda, que chega até a ficar noiva do filho de Victoria, Daniel Grayson, como parte de seu plano. Porém nem tudo é perfeito e se vingar de tantas pessoas importantes é algo muito arriscado.
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Daniel (Josh Bowman) é carismático, rico e procura conseguir o controle de sua vida. 
A série não ocorre de forma linear. Muitas vezes estamos assistindo ao passado das personagens e, em outras, ao futuro. O episódio piloto já possui essa característica, mas com o tempo nos acostumamos a ela e acabamos torcendo, ou não, para que os planos de Amanda se concretizem.

O que mais me atraiu em Revenge foi descobrir pouco a pouco o que realmente aconteceu, e assistir às personagens recebendo o que merecem. Não sei se o livro é ou não melhor do que o seriado, já que não o li ainda. Mas aceito de presente e compartilharei aqui minha opinião com vocês também, hehe. Acredito que, assim como a série, O Conde de Monte Cristo seja muito bom.


Revenge já iniciou a sua segunda temporada, que ainda não comecei a assistir, mas dizem estar ótima. Só sei que Amanda/Emily está disposta a qualquer coisa para cumprir a sua vingança e eu quero continuar acompanhando ela nesta jornada. E vocês, conhecem algum outro seriado ou livro com este tema? Compartilhe conosco!


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BRONTË, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes. Lua de Papel. 200p.


O Morro dos Ventos Uivantes é o único livro da autora Emily Brönte e está consolidado entre os clássicos ingleses. Divulgado como uma história de amor e um dos romances mais fortes de todos os tempos, a obra é repleta de ódio e vingança, e se haver amor, considero como uma obsessão doentia.

Lockwood acaba de tornar-se o inquilino da Granja dos Tordos, residência pertencente à Heathcliff. Ao chegar à Granja, ele decide visitar o Morro dos Ventos Uivantes, local onde Heathcliff mora, e estabelecer contato com seu locatário.

Porém Lockwood percebe que o comportamento das pessoas no Morro dos Ventos Uivantes é um pouco diferente. Intrigado com a situação, ele comenta com Ellen Dean, a governanta de sua casa, e descobre que a mesma mora lá desde pequena e está disposta a explicar o porquê de tal estranheza.

Ellen conta a história de Heathcliff e Catherine, amigos desde a infância e separados pelas eventualidades da vida. Acredita-se que o foco principal do livro é romance entre as personagens citadas, mas a meu ver, apreciar a vida de Heathcliff é muito mais interessante.

Ao conhecê-lo é possível que as pessoas achem que o mesmo é um monstro, mas não o é. É um homem perturbado por causa de seus sentimentos. Heathcliff sofreu desde pequeno e por causa disto tornou-se tão vingativo e cruel.

Como todos os clássicos, há várias edições disponíveis da obra. A que li foi da Lua de Papel e não recomendo. A capa possui uma citação de Crepúsculo e a arte não é das melhores. A diagramação não foi agradável, pois são letras pequenas em folhas brancas e, ainda mais, alguns capítulos estavam com as letras invertidas, e com partes cortadas; ou seja, praticamente impossível de serem lidos.

Por outro lado, a escrita é cativante. A maneira como a história é relatada acrescentou ainda mais emoção para a trama, que mistura passado e presente, utilizando-se de algumas palavras já em desuso, mas com uma coerência gramatical impecável.

Eu já havia lido uma adaptação do mesmo, denominada Aqui na Terra, antes de ler o clássico, então não houve muitas surpresas e não consegui considera-lo como um dos meus favoritos. Já Aqui na Terra entrou para a lista, então aproveito para recomenda-lo. Mas estejam cientes que é uma adaptação e, portanto, há muitas distinções entre as duas obras. Eu tinha elevado minhas expectativas, porém O Morro dos Ventos Uivantes não deixou de ser um livro muito bom.

Nota: ♥♥♥♥


Clássico. Oito letras, três sílabas, e somente uma palavra, que tem o poder de afastar ou aproximar as pessoas. Geralmente o primeiro contato com os clássicos é feito na sala de aula, onde algum clássico é indicado como leitura obrigatória e provavelmente você vai odiar. Seja por não ter ainda o hábito da leitura ou por você ter, por exemplo, 14 anos e precisar ler Os Lusíadas.
Minha opinião é que se o intuito das leituras obrigatórias é aproximar os jovens dos livros, está acontecendo de maneira errada. Os livros deveriam ser aqueles que despertem a curiosidade, com uma leitura fácil, e se possível, com algumas ilustrações e uma diagramação boa: com páginas amareladas e letras não tão pequenas. É só procurar no site das editoras o gênero “infanto-juvenil” e achar lá várias aventuras de bruxinhos, semi-deuses ou garotos comuns fazendo coisas diferentes e garantindo boas risadas.
É por causa dessa imagem negativa que muitas pessoas passam longe dos clássicos. Na verdade, eu já li alguns e gostei da maioria, mesmo que sejam leituras obrigatórias; mas acredito que a minha recepção seja influenciada pelo fato de eu já ter o hábito da leitura.
Essa postagem tem como objetivo divulgar algumas obras clássicas que eu gostei e recomendo. Cada obra terá um comentário pequeno, com seus pontos positivos e negativos. É como uma mini-resenha, mas bem superficial. Só para direcionar as pessoas para os livros que acham que mais combinam com o seu estilo de leitura.
Espero que seja útil para desmistificar a imagem negativa dos clássicos. Eles se tornaram tão reconhecidos justamente por serem bons, e marcarem um período da nossa história. O problema geralmente é por causa da leitura dos mesmos no tempo errado. Então vamos lá!
Dom-Casmurro
Machado de Assis é considerado o maior escritor brasileiro e Dom Casmurro provavelmente deve ser o seu mais famoso livro. A obra é escrita em primeira pessoa, sendo o narrador conhecido como Bentinho. Ele relata a sua vida, desde quando era novo até o momento em que está escrevendo o livro. A linguagem é fácil, e os capítulos são curtíssimos, o que alegra bastante a leitura e faz o tempo voar sem ser percebido. Durante a leitura é exposto o retrato da sociedade, os ciúmes, mas principalmente dúvidas acerca da fidelidade de Capitu. Até hoje é desconhecido se houve ou não uma traição, e isto é um dos maiores atrativos do livro: você pode decidir no que acreditar.
Jorge-Amado-Capitaes-da-Areia
Jorge Amado completa o seu centenário em 2012 e como homenagem, eu acho, a rede Globo está passando uma adaptação de “Gabriela, Cravo e Canela”. Porém venho aqui escrever sobre outro livro, pois Gabriela ainda não li. Capitães da Areia retrata o cotidiano de um grupo de garotos que moram em um trapiche, chefiados por Pedro Bala. Sem pai, nem mãe, eles sobrevivem através de roubos e trapaças, e se autodenominam Capitães da Areia. Apesar da obra ter sido escrita em 1937, ainda representa muitos garotos atualmente e é por causa disso que acredito que a leitura deste livro seja importante. A escrita é fácil, os capítulos não são grandes, e são repletos de uma crítica à sociedade.
prancha_01
Shakespeare é um autor de peças muito conhecido internacionalmente, mas ainda há especulações se a identidade do mesmo é verdadeira. Por fim, o mais importante são as peças que ele escreveu e que até hoje são lidas mundo a fora. Por serem peças, a leitura é bem agradável e consegue passar ensinamentos em poucas falas. É de Hamlet a tão famosa frase ‘ser ou não ser, eis a questão’. A peça conta a história do príncipe Hamlet, que após a aparição do fantasma de seu pai, descobre que Cláudio, seu tio, assassinou seu pai para tomar o trono e casar-se com sua mãe. Quando descobri isso, ele busca vingar a morte de seu pai matando o rei Cláudio. A obra trata de temas um pouco fortes, como a traição, a vingança e o incesto. Mas ainda sim, eu recomendo. Tanto esta quando outras peças do autor, como Romeu e Julieta e Sonho de Uma Noite de Verão, que é bem fantasiosa, mas muito bonita!
Livro-Memorias-de-um-Sargento-de-Milicias
Uma obra que li por obrigação foi Memórias de um Sargento de Milícias, e confesso que esperava não gostar, afinal a maior parte dos comentários dos vestibulandos foi negativa. Mas a história de Leonardo me conquistou, a escrita não é difícil, só um pouco diferente, e o garoto nos faz dar belas gargalhadas. O livro retrata o cotidiano das camadas baixas, o que fugiu do padrão da época, e a linguagem é a popular, das ruas mesmo.
9788525421562
O Médico e O Monstro é muito legal, eu não quero contar muito da história, pois ela é bem previsível. Mas fala sobre o momento em que você se perde para si, não encontra mais quem você era e se transforma em uma nova pessoa. Uma obra genial, vinda somente de um sonho de Stevenson.
Drácula
Pra não me prolongar muito, vou recomendar só mais uma obra: Drácula, de Bram Stoker. É o vampiro mais conhecido desde sempre, a obra é inspirada em relatos do folclore romeno e do príncipe Vlad Drakul. Em forma de carta, a leitura é diferente e agradável. A adaptação pras telonas também vale a pena.

Espero que vocês tenham curtido a postagem e que de agora em diante pegam mais clássicos para ler, pode ser que alguns obedeçam ao estereótipo de desagradável, mas isto pode acontecer com qualquer tipo de livro, antigo ou atual. Tem uma obra que apesar de querer muito, não indiquei aqui, pois vou postar uma resenha sobre a mesma amanhã, então não deixem de conferir também! Beijos pessoal.