Gostando ou não gostando da trama, algo inegável é que “Meu amor, Meu bem, Meu querido” é surpreendente. Através da capa e do título, esperamos uma história um pouco diferente da encontrada, e independentemente se é para o lado bom ou ruim, acabamos nos surpreendendo com Ruby McQueen.

A nossa protagonista é uma garota de 16 anos que vive na cidade de Nine Mile Falls. Conhecida por não possuir muitas amizades e sempre se dar bem na escola, ela está prestes a mudar de comportamento e rever suas atitudes quando conhece Travis Becker, um lindo, charmoso e rico garoto das redondezas.

O único problema é que, assim que Travis aparece, o perigo também. Ao perceber isso, Ann, mãe de Ruby, faz o possível para mantê-la ocupada, e distante do encrenqueiro. Ann é bibliotecária e também possui seus problemas amorosos, mas passa o seu tempo livre com o clube de leitura semanal que criou. Então, ela arrasta Ruby para os encontros e ambas acabam descobrindo que, além de boas leituras, o clube reserva uma grande surpresa para todos os integrantes...

Como já citei, posso definir o livro como sendo uma surpresa. Eu esperava encontrar uma história de amor ao estilo de Belo Desastre, sendo que até o nome da personagem masculina se repete, mas acabei lendo sobre as dúvidas de uma garota em relação a si mesma. Em paralelo, e, talvez, até mais interessante, há a história do clube de leitura, que me garantiu algumas risadas, mas pareceu-me um pouco forçada.

Criei um pouco de expectativas para ler este livro, pois zanzando pela blogosfera literária, pude perceber que muitas pessoas o adoraram. Para mim, é um livro sem açúcar, que serve para passar o tempo, mas não possui um diferencial interessante. Um conselho? Leia. Mas com expectativas baixas. Quem sabe ele não te agrade?



Esta será uma resenha diferente, possuindo mais fotografias do que o normal, pois quero muito compartilhar a minha edição com vocês. Além disso, a extensão da mesma é um pouco maior do que a habitual, então peço desculpas, mas não consegui ser mais breve. Enfim, leiam a resenha e compartilhem suas opiniões comigo!

Não sei bem o que me levou a querer ler Jane Austen, acredito que tenha algo a ver com o fato de tantas pessoas adorarem suas obras, combinado com a garantia de encontrar uma boa escrita, afinal, a autora nasceu em 1775, e a vontade de saber mais sobre seus livros. Comecei por Razão e Sensibilidade, que é um livro gracioso, mas não o mais adorado da autora, que hoje resenho. Orgulho e Preconceito é um clássico inglês que, com elegância, nos mostra os costumes da Inglaterra da época, além de um romance para deixar as coisas ainda mais interessantes.

A história inicia-se com a vinda de Sr. Bingley, um jovem agradável, bonito e rico, para Netherfield Park. Fato tal que chamou a atenção de várias pessoas, principalmente as mulheres de meia-idade já casadas, pois a maior parte das mulheres daquela época possuía uma inteligência voltada especialmente ao bom casamento de suas filhas. Principalmente a Sra. Bennet que possui cinco filhas e nenhum filho, ou seja, com a morte de seu marido, elas teriam que sair de sua propriedade por causa do morgadio.

Enquanto Sr. Bingley é uma pessoa simpática e educada, Sra. Bennet é uma mulher apavorada, em extrema preocupação e muito dramática. Logo que ele chega à vila, ela pede para seu marido ir visita-lo, a fim de que sua família comece um relacionamento com ele para que o mesmo se case com alguma das cinco garotas: Jane, Elizabeth, Kitty, Lydia e Mary. O Sr. Bennet obedece, mas de uma forma totalmente diferente da esperada, e sem notificar ninguém. Ele é uma das personagens mais engraçadas do livro, sendo o dono de uma das frases que mais me fez rir durante a leitura.

As cinco filhas quase não poderiam ser tidas como irmãs, pois todas elas são bem diferentes, a não ser Lydia e Kitty, que possuem personalidades semelhantes, porém uma é ainda mais aventureira do que a outra. Jane, a irmã mais velha, é também a mais bonita das cinco, e acredita sempre no melhor das pessoas, sendo muito ingênua ás vezes. Já Elizabeth é a mais inteligente, porém não possui uma beleza tão estonteante, a não ser que o fato de seus olhos serem muito expressivos conte algo para vocês. Kitty e Lydia estão naquela fase namoradeira e então só pensam nos oficias que vão chegar à vila e Mary, por ser a menos escolhida pela beleza, decidiu-se por sair pouco e estudar muito, tornando-se muito boa no pianoforte. Dentro de casa, as confidentes são Jane e Elizabeth, e Kitty e Lydia, sendo que Mary não possui muita afinidade com nenhuma das irmãs.

Após a chegada de Sr. Bingley, é dado um baile, em que o mesmo é convidado e espera levar um número grande de pessoas consigo. Porém, na hora do evento, ele apareceu com somente duas pessoas, sua irmã, Srta. Bingley e seu grande amigo, Sr. Darcy. Apesar de Sr. Bingley aparentar ter uma genuína simpatia, não se pode dizer a mesma coisa de seu amigo, que era mais recluso, dançando pouco, e ostentava um semblante superior e arrogante, demonstrando ser orgulhoso de sua condição social, afinal, ele era possivelmente o homem mais rico daquele lugar. Mas, apesar dessa diferença de personalidades, a amizade entre os dois era muito concreta. Sr. Bingley confiava totalmente em Sr. Darcy, que foi mais dotado pela inteligência do que o primeiro, e Sr. Darcy adorava a docilidade, franqueza e desenvoltura do primeiro, que possuía sempre gestos convidativos, ao contrário dele.

Durante o baile, Sr. Bingley pede pra que seu amigo tire uma moça para dançar, alegando que nunca tinha visto tantas belas moças juntas, porém Sr. Darcy afirma que a única realmente bonita é a que está a dançar com Bingley, justamente a filha mais velha dos Bennet, Jane. Decidido então a convencer o amigo, ele afirma que Elizabeth também é muito bonita, e inteligente, mas Darcy diz prontamente que sua beleza não era suficiente para comovê-lo. Ele mal sabia que a história dos dois tinha apenas começado e que iria apaixonar-se por aqueles olhos expressivos.

Entretida em observar as atenções do Sr. Bingley com sua irmã, Elizabeth estava longe de suspeitar que ela mesma se estava tornando alvo de certo interesse por parte do amigo dele. No começo, sr. Darcy mal admitia que ela fosse bonita; olhara para ela sem nenhum entusiasmo durante o baile; e, quando voltaram a se encontrar, observou-a apenas para criticá-la. Mas, assim que se convenceu a si mesmo e aos amigos de que seu rosto não tinha nenhum traço belo, começou a descobrir que ele se tornava excepcionalmente inteligente pela bela expressão de seus olhos negros. Com a tal descoberta seguiram-se outras igualmente torturantes.

Apesar de, em boa parte do livro, acreditarmos que a história é sobre Sr. Bingley e Jane, Austen surpreendente, se você não souber anteriormente o nome dos protagonistas, ao relatar a história de Jane em segundo plano. Aqui, o que realmente é importante seria a relação entre duas pessoas que de tão orgulhosas ou preconceituosas receberam este título à sua história. Por causa de tais más características, muitas opiniões apressadas foram feitas, muitas coisas receberam mais importância do que deveriam e muitos amores, quem sabe, nunca poderiam ser concretizados.

Esta edição é absurdamente linda e foi ainda mais prazeroso ler a história sabendo de tal qualidade com o livro. Além de uma boa tradução, a diagramação é ótima, a capa é bonita, a contracapa é mais ainda, e a letra personalizada acrescenta outro diferencial a mais recente edição da Martin Claret para os livros de Jane Austen.  Um trabalho excelente, a meu ver! Confiram:

 



Gostei do modo com o qual a autora conduziu a história e mostrou-nos pouco a pouco a personalidade de cada personagem, que já foi descrita basicamente nesta “resenha”. A autora é reconhecida por causa de suas protagonistas que, diferentemente do normal, são escolhidas por causa de sua inteligência e não da aparência, e Elizabeth possui praticamente um dom de conseguir ver as coisas claramente. Mas, infelizmente, em relação a ela mesma, sua visão torna-se um pouco embaçada.

O que mais posso dizer? Orgulho e Preconceito tornou-se o meu quinquagésimo livro favorito e só consegui pensar em “por que eu não o li antes?”. A história é fortemente recomendada para aqueles que gostam de ler romances de época e conhecer um pouco mais os costumes que estão tão longe dos atuais. Peço desculpas pelo tamanho do meu comentário, mas a história é um pouco complexa para ser contada com poucas palavras, afinal, a autora iniciou o livro não pelo caminho habitual, que seria apresentar os protagonistas, mas o fez pelos personagens secundários. Porém, Jane e Bingley são tão importantes e recorrentes à trama que eu os considero quase co-protagonistas, se é que isto é possível.

Enfim, sem me alongar ainda mais, deixo aqui minha recomendação de um dos melhores livros que já li. Espero postar meu comentário sobre o filme, que acabei assistindo logo após terminar a leitura, amanhã.


Título original: Waiting for you
Autor: Susane Colasanti
Editora: Novo Conceito
Gênero: Romance
Páginas: 336
Susane já tinha lançado outro livro pela mesma editora aqui no Brasil faz pouco tempo, Bem mais perto, que teve críticas medianas. Não cheguei a ler tal livro, mas Esperando por você aparenta seguir o mesmo caminho do anterior.

Marisa é uma garota que quer fazer tudo o possível para transformar este ano no ano de mudança. Ela vai começar o segundo ano do ensino médio e quer parar de ser tachada de maluca, já que ano passado ela sofreu de depressão e praticamente não conversava com ninguém. Os seus amigos são poucos, mas ela conta com a ajuda de Sterling, sua melhor amiga e cozinheira impecável, além de seu pai, que é superpreocupado e a ama muito.

Apesar do título, a história não retrata somente a espera por alguém, mas é como um diário, contando a história do cotidiano da protagonista. Mas ela sofre de ansiedade e a sua vida gira praticamente a procura de um namorado. Na verdade, a procura de Derek.

Derek é simpático e popular, possui um sorriso charmoso e jeitinho de surfista. O único problema é que ele já está namorando, porém apresenta indícios de que gosta bastante de Marisa, tendo um alto potencial para tornar-se seu namorado. Porém há outro personagem que faz parte dessa parte romântica da vida dela: Nash. Eles foram amigos quando crianças e após anos sem se falar, apesar de serem vizinhos, eles agora são parceiros nas aulas de química. Nash é tímido, possui um jeitinho meigo e cativante, mas é um nerd. Os relatórios que eles precisam fazer são feitos quase que totalmente por ele. Apesar de não gostar de Nash daquela forma, Marisa não quer perder a amizade que acabou de reconstruir com ele.

O único problema é que Nash interpretou errado a amizade entre os dois, pensando que era algo a mais, e agora Marisa perdeu seu melhor amigo. Mas tudo se resolve quando Derek começa a sentar perto dela nas aulas de Artes, e os boatos são de que ele está novamente solteiro. A falta que Nash faz para o dia-a-dia de Marisa poderá ser substituída pelo aparecimento de Derek. Mas, infelizmente, as coisas não saem como o planejado e ela é decepcionada com o amor de sua vida. Agora, a situação realmente está feia e a única coisa que a mantém firme e a impeça de voltar para os seus dias sombrios de depressão são os podcasts de um DJ anônimo que aparentemente compreende perfeitamente o estado dela.

A história é totalmente previsível, o que é um grande erro. Apesar de bem escrita e ter uma diagramação interessante, acredito que não releria o livro, pois ele se desenrola de uma forma que já vi em outras ocasiões, só que de maneira diferente. Acredito que, mesmo sendo um chick-lit, um livro deveria ter algo de surpreendente e, infelizmente, Esperando por você foi somente uma leitura tranquila e descontraída.

Início dos capítulos
Uma parte que me agradou bastante foi o vocabulário utilizado pela autora. Na parte de trás do livro, Kirkus Reviews afirma que Colasanti está falando com adolescentes em sua própria linguagem, e eu assino em baixo.  Muitas vezes, li expressões que são comumente utilizadas nas escolas que estudei e algumas, confesso, eu ainda utilizo. Portanto, apesar de ser algo já conhecido, eu recomendo que, ao menos, você presenteie alguém que não está costumado a ler com este livro. Ele possui uma escrita maravilhosa, uma diagramação ótima, uma capa interessante, só não possui uma história espetacular.


Título original:  Animal Farm
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Fábula, sátira
Páginas: 152
Apesar da minha aversão a e-books, que não é pelo fato de não ser um livro físico, mas por eu não possuir um leitor digital e sofrer bastante com os reflexos do notebook, decidi baixar um e ler A revolução dos bichos. Este livro é um clássico, que já foi banido em alguns países por causa de seu conteúdo, e eu estava doida para conferir a história com os meus próprios olhos.

Primeiramente, devo dizer que gostei muito. A satirização do stalinismo é óbvia, não é necessário ler nas entrelinhas, somente saber um pouco de história e perceber que, na verdade, este não é um livro sobre animais de fazenda, mas uma crítica ao sistema socialista de Stálin.

Enquanto Sr. Jones, o proprietário da Granja do Solar, estava dormindo, um grande alvoroço ocorreu nos seus galpões. Os animais estavam a caminho do grande celeiro porque o Major, um porco já idoso, tinha sonhado algo estranho na noite anterior e queria relatar aos seus companheiros. O sonho era algo maravilhoso, na verdade. Através dele, Major percebeu que algum dia aquela granja poderia ser de todos os animais e o sofrimento deles, de possuírem vidas curtas e trabalhosas por demais, poderia chegar a um fim. Só o necessário seria uma revolução contra Jones e todos os seres humanos, pois, afinal, são as únicas criaturas que não produzem nada, porém comandam todos os animais.

Infelizmente, o Major morreu algum tempo depois, mas a sua ideia não estava esquecida no coração daqueles porcos, cavalos, ovelhas e aves. Em uma fazenda, quando você deixa de ser útil, é morto. E se a fazenda fosse somente deles? E se todos fossem iguais? São pensamentos tentadores e, após alguns dias, a Revolução realmente aconteceu. Finalmente, a Granja do Solar se tornaria a Granja dos Bichos.

E a partir daí, muitos animais se destacaram. Os cavalos Sansão e Quitéria e o burro Benjamin, por exemplo. Porém os animais mais importantes são os porcos, principalmente dois: Bola-de-Neve e Napoleão. É de conhecimento geral na fazenda que são os porcos os animais mais inteligentes, portanto, foram dadas as tarefas de organizar as coisas após a revolução. Napoleão era pouco falante, tinha uma aparência assustadora, porém possuía grande força de vontade. Já Bola-de-Neve era mais comunicativo, mas seu caráter não era totalmente conhecido. Chegaram a um impasse, mas um destes personagens já sabia como resolvê-lo.
Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.
Apesar de, no início, houver realmente um “animalismo” (corrente que objetivava a igualdade dos animais) democrático, após algum tempo este sistema começou a se tornar uma ditadura.  E o pior, ninguém percebia. Estavam todos muito felizes por terem conseguido escapar das garras dos seres humanos e acabaram por se encontrar em uma situação ainda mais devastadora, com mais trabalhos e menos comidas e violação aos direitos dos animais. Eles chegaram a criar sete mandamentos, porém o governo totalitário acabou por alterar todos até que chegasse ao que ele queria.

Escrito de maneira muito simples, mas passando totalmente a sua mensagem, A revolução dos bichos, ou O triunfo dos porcos, que é o título de Portugal e acredito ser bem adequado também, é uma fábula brilhante. Orwell mostrou que não é necessário escrever de maneira complicada ou ficar enrolando para se fazer uma boa história, pode-se conta-la como se fosse algo para crianças, que as pessoas ainda assim entenderão. E até melhor, muitas vezes.

É praticamente impossível não perceber a semelhança entre o animalismo e o socialismo, e principalmente entre Napoleão e Bola-de-Neve com Stálin e Trotsky. O autor cumpriu com o seu objetivo, ironizando tal sistema utópico e esclarecendo muitas mentes, acredito. Também se percebe os vários tipos de pessoas existentes: aquelas que repetem sem ao menos saber o porquê, as que só se importam com o trabalho, as que são inteligentes, mas gananciosas por demais, etc.

Esta é uma obra pequena, mas muito boa, que deve garantir um espacinho nas suas estantes. A ideia do autor é genial e espero que nunca precisemos mais passar por situações semelhantes, nas quais alguns se impõem a outros. Porém, quem vigia os vigiantes?

Leitura totalmente recomendada.