AUSTEN, Jane. Razão e Sensibilidade. Martin Claret. 2012. 457p.
Este foi o primeiro livro que li de Jane Austen, uma notável escritora inglesa, que se destaca pelo olhar irônico com o qual retrata a sociedade da época. Além da curiosidade sobre os escritos de tal autora, fui influenciada a ler Razão e sensibilidade porque estava à procura de uma leitura mais rebuscada do que as atuais. Estou satisfeita com o resultado, apesar de, a priori, pensar que encontraria algo como em O morro dos ventos uivantes. A tradução de Roberto Leal Ferreira não é tão requintada, porém é devidamente boa.
Razão e Sensibilidade retrata a história da família Dashwood, atualmente composta pela mãe e suas três filhas: Elinor, Marianne e Margaret. Após a morte do Sr. Dashwood, elas tiveram que recorrer às suas economias para encontrarem um lugar confortável, porém mais modesto do que estavam acostumadas, para morar. Por obrigatoriedade, o herdeiro de Dashwood teve que ser John, filho de seu primeiro casamento, que, por sinal, prometeu ao pai cuidar de sua madrasta e meias-irmãs, ajudando-as sempre que necessário.
Porém, a Sra. John Dashwood, demonstrando muita persuasão e cobiça, conseguiu convencê-lo a descumprir a promessa feita ao pai. Sentindo-se intrusas em sua própria casa, a Sra. Dashwood e suas filhas passaram a procurar uma nova moradia para retomar a felicidade antes existente em seu lar. O livro é focado em Elinor e Marianne, as filhas mais velhas da Sra. Dashwood, e personagens totalmente antagônicas.
Austen transmite em seu livro a imagem de uma sociedade inglesa fútil, gananciosa e fofoqueira. Elinor, a irmã mais velha, é comandada por sua razão, portanto, mesmo que não goste de alguma pessoa, ela a trata da melhor forma possível. Porém, Marianne, influenciada por seus sentimentos, expressa livremente os seus pensamentos, o que, muitas vezes, deixa Elinor um pouco envergonhada perante seus amigos. Elinor sempre está tentando mudar o estilo de Marianne, porém estas tentativas não se mostram promissoras.
O tema central de Razão e Sensibilidade é a vida amorosa das duas irmãs, que reagem de forma totalmente diferente à paixão. Mesmo que haja várias regras específicas sobre o namoro, é notável em Marianne tudo o que sente por seu amado, por mais que ainda não haja um compromisso entre eles. Em Elinor, não há nenhum indício de tal amor, mas um autocontrole e decoro muito grandes. Porém, mesmo que sejam tão diferentes, ambas enfrentarão os mesmos problemas, pois vivem na mesma sociedade, na qual as pessoas estão dispostas a tudo para melhorarem seu status, seja por meio de um casamento arranjado, do amor ou de heranças. A crítica de Jane Austen sobre o seu tempo é declarada durante todo o livro, ás vezes, de modo subjetivo, mas em quase todos os diálogos, há uma ironia expressa sobre a sociedade inglesa da época.
Tive receio em comprar a edição que acabei adquirindo, pois ela estava embrulhada e era pocket, o que geralmente significa possuir letras pequenas, com folhas brancas e uma péssima diagramação. Porém, eu a recebi como presente e fiquei surpresa ao encontrar uma edição que, além de ser lindíssima por fora, é mais ainda por dentro. A parte interior da capa é dourada, as páginas são amareladas, e a diagramação ficou ótima. O início dos capítulos sempre é encontrado com uma fonte que, segundo comentários, é a própria caligrafia da autora. Ás vezes, ela está um pouco incompreensível, mas, com calma, é possível distinguir todas as palavras perfeitamente bem.
Neste ano, tornei como meta ler mais clássicos, visto que é um caminho seguro para encontrar boas leituras. Razão e Sensibilidade foi uma surpresa positiva, gostei de conhecer mais sobre uma época tão decorosa e diferente da atual. Ainda há características que são encontradas em nossa sociedade, porém, são justamente as que Jane critica. A leitura deste livro foi rápida, muito fluida, e o desenvolvimento do mesmo, satisfatório. Recomendo a leitura, e espero ler outras obras da autora e poder recomendá-las com tanto afinco quanto esta. É algo que realmente vale a pena.




