Título original: On mystic lake
Tradutor: Sylvio Deutsch
Páginas: 368
Editora: Novo Conceito
Annie Colwater sempre foi uma boa garota. Desde pequena, se importava mais em ajudar os outros a se sentirem bem do que em pensar nela mesma. Agora, com sua filha indo embora para Londres e seu marido declarando estar apaixonado por outra mulher e querer o divórcio, Annie precisa redefinir seus objetivos de vida. Foram vinte anos de amor e dedicação jogados fora. Tentou ser uma mãe e esposa perfeita e agora se vê sozinha... E totalmente perdida.
As pessoas partiam, e, se você amasse profundamente demais, com intensidade demais, a súbita ausência delas poderia gelar até sua alma.
No seu caminho de descoberta pessoal, ela retorna à cidade onde cresceu, Mystic, para ficar um pouco ao lado de seu pai, Hank. Ele a aconselha a esperar calmamente que Blake irá voltar, e é tudo o que Annie mais deseja: que ele perceba que aquilo é uma crise de meia-idade e volte para a casa. Para a família pela qual ela tanto lutou.
Enquanto isso, ela reencontra um velho amigo do colegial, Nick, e acaba por saber que a sua esposa, também amiga dela daquela época, Kathy, morreu faz oito meses. Abalado, Nick ainda não se recuperou da perda e não sabe como cuidar da filha pequena, Izzy, que acredita estar desaparecendo aos poucos e “não consegue” mais falar já faz um bom tempo.
Como ser mãe e esposa é tudo o que Annie sabia fazer, ela ajuda esta pequena família despedaçada a se reconstruir e, aos poucos, vai refletindo mais sobre si; sobre a Annie do passado e a do presente e o rumo que a sua vida tomou. E, quando tudo finalmente parece estar da maneira que deveria ser, ela se vê obrigada a tomar uma decisão difícil, daquelas que ninguém deveria ser obrigado a fazer.
Desde o início, simpatizei com a protagonista. Não é difícil imaginar o quanto alguém pode ficar abalado ao perceber que estava amando sozinho em um relacionamento que durou duas décadas. Kristin Hannah construiu uma trama complexa que aborda questões do mundo real e que nos faz refletir sobre nossos sonhos, a construção de uma família e o individualismo: é aceitável desistir de nós mesmos para se empenhar a construir algo em conjunto?
Havia dado tanto, a si mesma por inteiro e também todos os seus sonhos; tinha entregado tudo sem um murmúrio de protesto... e isso porque o amava tanto.
Annie é uma personagem muito bem construída e é perceptível o seu crescimento ao decorrer da leitura. Além dela, outras personalidades se destacam fortemente na obra, e eu preciso citar a pequena Izzy. Uma garotinha de seis anos que conseguiu me conquistar e me fazer ficar triste nos momentos certos.
Este poderia ser mais um livro qualquer em uma banca, porém a intensidade de detalhes que a autora conferiu para seus personagens, o modo como as cenas são narradas, a construção dos cenários... É tudo tão perfeito. É tão fácil de ler e de imaginar, e é tão feliz em uns momentos e triste em outros. Uma combinação perfeita, a meu ver.
Ao ler a sinopse, parece uma história clichê, mas eu garanto que Kristin Hannah conseguiu conferir a essa premissa uma profundidade admirável. Ela transforma o que poderia ser um livro de Nicholas Sparks (sem preconceitos, adoro Nicholas) em algo mais tocante e bem desenvolvido. É muito bom para refletir sobre a nossa vida e decisões, sobre o que une uma família e sobre as expectativas que os outros possuem de nós.
Pelo título, podem achar que o livro traz algum misticismo em si. Mas não. É a história de uma mulher real, que enfrenta problemas reais. A única coisa mística que pode haver nesse livro é referente a imaginação de uma criança, o que é totalmente compreensível. Mystic é o nome tanto da cidade quanto de um lago presente nela. A única coisa que achei estranha é adotarem durante todo o livro a grafia Mystic e somente no título colocarem Místico. Isso é agoniante.
Por fim, esta é a primeira obra que leio da autora e fiquei maravilhosamente encantada. Ela possui uma escrita cativante, que nos fisga desde as primeiras páginas. Cada dia eu queria ler “só mais um capítulo”. O único porém é o final apressado, que foi agradável, mas, tendo em vista o detalhamento da história, eu esperava algo melhor.













